Paciência e Outras Habilidades Necessárias para Investir em Ações


Se você é como a maioria das pessoas, está muito menos tentado a arruinar seus investimentos quando os mercado de ação estiver indo bem. É ótimo olhar para os relatórios e ver como eles cresceram e sua inclinação é deixar que continuem seu bom trabalho.

Mas quando os mercados vão mal, seu estômago dói a cada relatório e talvez com cada má notícia econômica. Você começa a se questionar se não deveria tirar seu dinheiro agora e esperar até que as coisas melhorem. O problema com essa estratégia é que, seguindo isso, você acaba pior que antes porque está vendendo barato – possivelmente mais barato do que pagou na compra e se você comprar de novo estará pagando mais caro
do que quando vendeu.

Eis algo que que pode aliviar o nervosismo que geralmente acompanha as turbulências do mercado. Quando suas mãos estiverem tremendo quando da leitura da performance dos seus investimentos, lembre-se que:

  • Nos EUA um típica recessão dura cerca de oito meses. Quando estamos em recessão, o mercado de ações geralmente despenca, mas sempre recupera-se muito rapidamente e começa a subir antes que os indicadores econômicos indiquem esta tendência.
  • Depois de uma perda, o mercado tende a voltar mais forte. Nos últimos 40 anos houve 7 mercados de baixa no EUA e as ações perderam metade do seu valor nessas vezes – mas as “blue chips” mantiveram um ganho anual de quase 11 porcento.
  • Ações rendem muito mais que commodities quando você desconta a inflação. Nos últimos 100 anos, o valor do ouro já descontado da inflação, apenas dobrou. No mesmo período o valor das ações se multiplicou por 8.

Pouca gente encara dessa forma, mas um mercado em baixa é o mesmo que uma liquidação na sua loja preferida – uma chance de comprar algo que você quer por um preço melhor que o normal. Essa não é a hora de sair – é hora de entrar.

Coisas a procurar

Seu mantra de investimentos deveria ser “simplifique”. Procure oportunidades que não requeirão tanta investigação. Fundos de renda fixa, por exemplo, são mais simples (e baratos e muitas vezes mais rentáveis) que fundos ativos porque eles não envolvem muitas compras e vendas de ações.

Simplicidade se apresenta também em outras formas. Procure investimentos dos quais você entenda. Se você não sabe como funcionam ou como eles geram lucro pra você, descarte. Fique com o que você conhece.

Um fazendeiro amigo meu investiu em ações de companhias de tratores e fertilizantes porque conhece um pouco sobre essas empresas e como elas funcionam. Ele não investe em valores mobiliários de sociedades limitadas porque são extremamente complicadas e não são familiares a ele.

Esta é, a propósito, uma das regras do Warren Buffett, o maior investidor de ações do mundo. Apesar da atenção que as ações do setor de tecnologia tem obtido nas últimas décadas, o portfolio dele contém nenhum. Por que? Resposta dele: “só compro ações de negócios que entendo”.

Procure retornos razoáveis e não promessas mirabolantes. Um investimento que tem o potencial de lhe render 7, 8 ou até 10 porcento ao ano é muito mais razoável que qualquer um que lhe prometa dobrar seu dinheiro. Aliás, exceto quando se trata de investir em caderneta de poupança, você deve desconfiar de promessas de retorno de qualquer tipo.

Coisas a evitar

Há algumas coisas de que o investidor médio deve passar bem longe. Algumas trarão problemas financeiros. Outras trarão problemas judiciais. De qualquer forma, não vale arriscar seu tempo e dinheiro.

Fique longe de paraísos fiscais e qualquer coisa chamada de “produto de investimento proprietário”. Ignore o marketing barato que geralmente acompanha esses produtos; isso é usado para distraí-lo das altas taxas e potenciais perdas, das quais você não quer fazer parte.

Lidando com corretores

Se você não está muito seguro de entrar sozinho no mercado de ações, talvez queira pensar em pegar um corretor. Ele pode lhe ajudar a avaliar
sua tolerância ao risco e identificar os melhores investimentos para alcançar seus objetivos financeiros. Um corretor experiente – não recomendamos aqueles que estão apenas começando na carreira – deve entender como os mercados funcionam e deve estar apto a lhe explicar as opções de investimentos que você tem, de uma forma que você entenda.

Contudo, escolher um corretor não é uma decisão pra ser tomada de qualquer jeito. Você deve gastar o mesmo tempo e análise que usaria para tomar qualquer outra decisão financeira importante, como comprar uma casa ou começar um negócio próprio. Fale com seu corretor pessoalmente; se possível, visite a corretora.

Como encontrar o melhor corretor? Comece perguntando no seu círculo de amigos e familiares se eles podem recomendar alguém. Se você não se sente confortável pra fazer isso ou se sua família e amigos não tem nenhuma recomendação pra oferecer, use a internet pra descobrir corretoras de valores na sua região de trabalho ou residência.

Seu corretor deve conhecer profundamente sua situação financeira e seus objetivos. Qualquer investimento que ele recomendar deve estar alinhado a ambos. Caso sinta que ele está lhe empurando numa direção que não lhe interessa, procure outro ou invista sozinho.

Quando seu corretor lhe recomenda um investimento, é um sinal para você ir pra casa e fazer sua própria pesquisa a respeito. Não há razão para tomar a decisão imediatamente. Leve o tempo que precisar e, antes de comprar, certifique-se de que a ação ou fundo recomendado se encaixa nos seus objetivos.

Fazendo você mesmo

De volta aos anos 1940, quando Charles Merrill embarcou na campanha para trazer Wall Street para as massas atraindo pequenos investidores, não havia outra opção a não ser escolher um corretor se quisesse investir no mercado de ações. Na Era da Informação, no entanto, você pode fazer seus próprios investimentos pela internet a qualquer momento e por muito menos que as corretoras cobrariam.

Para abrir uma conta numa corretora online, você tem que enviar uma aplicação assinada. Depois que sua conta estiver ativada, você pode comprar prticamente qualquer investimento que uma corretora de valores oferece – ações, fundos de renda fixa, fundos mútuos e títulos.

Transações online não são diferentes das realizadas de forma tradicional pelos corretores. Os riscos do mercado são os mesmos. Porém, às vezes é preciso estar alerta de algumas situações investindo online:

  • Um alto tráfego de dados no site pode atrasar suas ordens de compra e venda ou até mesmo dificultar o acesso à sua conta.
  • Principalmente quando os mercados enfrentam muitas altas e baixas, o preço de um investimento pode mudar drasticamente entre o momento em que você emite a ordem de compra ou venda e o momento em que a ordem é efetivamente executada. Isso significa que você terá que pagar mais do que havia previsto ou receber menos numa venda.
  • A facilidade de operar online nos tenta a operar muito e comprar e vender demais pode impactar seriamente no seu retorno. Também pode gerar impostos indesejados devido ao modo como são tratados os ganhos de capital de curto prazo.

Transação online não é o mesmo que day-trade. Investindo online, você deve manter a visão de longo prazo sobre seus investimentos. O day-trade é uma técnica muito arriscada, que consiste em pequenas operações em curto espaço de tempo – comprar ou vender determinada ação no mesmo dia ou em poucos dias.

Só porque é possível comprar e vender facilmente pela internet, não significa que você deva fazer isso. Faça sua pesquisa, escolha seus investimentos e então deixe eles fazerem o que devem fazer a longo prazo. Lembre da filosofia de Warren Buffett sobre investimentos: “Nosso período favorito para ficar com uma ação é sempre”.


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