Lutando Contra o Vício em Compras


Uns dias atrás fiquei louca comigo mesmo para mim além de perturbada e decepcionada com o que me tornei.

Essa turbulência emocional ocorreu quando eu estava assistindo a um programa de TV. Este programa de TV me estragou o dia. Ele falava sobre famílias sem teto que vivem em carros. Os entrevistados relatarama sua experiência. Mas o mais importante, as crianças também foram entrevistadas. Essa foi a parte que me tocou.

Por algumo motivo, o depoimento dos adultos não me causou impacto, embora tenham sido comoventes. Mas foi a parte dos filhos que mexeu comigo. As crianças, que vivem suas vidas em carros dos pais, comem diretamente das latas de comida enlatada porque não têm uma geladeira, uma cozinha ou até mesmo uma mesa para sentar e ter um jantar. Estas crianças me fizeram sentir-me envergonhada de mim mesma.

As crianças (que ainda frequentam as escolas, apesar de suas condições de vida) falaram sobre suas famílias, sobre estar juntos com seus pais e proteger um ao outro enquanto dormem durante a noite no carro, nas ruas. Falaram sobre como era viver a vida em carro. Falaram de seus sonhos de ter um teto sobre sua cabeça.

Fiquei muda por horas após ver este programa. De repente, de forma muito clara, me vi como alguém que vive a sua vida para ganhar dinheiro para gastar, comprar, possuir. Eu usava a desculpa patética que durante os primeiros 30 anos da minha vida não tive acesso a todas as mercadorias e os luxos que o mundo capitalista tinha para oferecer. Me dava essa desculpa para que eu pudesse ir em frente em minhas compras incontroláveis ​​e entupir de coisas sem ter peso na consciência.

Será que o consumo sem fim era o meu objetivo quando entrei para uma faculdade? Será que eu não tinha sonhos grandiosos para o futuro? Claro, eu tinha.

Mas, de alguma forma durante meu caminho me deparei com o consumismo e fiquei lá, estando desesperadamente agarrado a ele, com medo de deixá-lo ir embora.

Me tornei uma pessoa materialista que resolvia seus problemas com compras. Se tivesse um dia estressante no trabalho, ia às compras. Se me sentia vulnerável, ia para o shopping. Se queria me divertir, ia a alguma loja nas redondezas.

De alguma maneira inexplicável, as crianças sem teto conseguiram me mostrar o que ninguém mais podia. Naquela noite, em frente à TV, prometi a mim mesma que iria parar de gastar freneticamente e não mais iria tentar justificar a mim mesma o meu problema com compras.

Não acho ainda que tenho as prioridades da minha vida bem definidas na minha cabeça. Elas estão ainda nubladas com visões de sapatos e bolsas.

Sou um escrava do consumo, do meu vício em compras e os meus hábitos de gastos. Posso sair de tudo isso? Não sei.

Se vou tentar? Claro que sim, eu vou!

Autora: Janete Grazielli


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