Como Solucionar as Diferenças de Filosofia Sobre Dinheiro Entre Você e Seu Parceiro

A maneira de lidar com o dinheiro está no topo ou quase no topo, da lista dos principais motivos de brigas de casais, em parte porque é bastante raro que duas pessoas tenham exatamente as mesmas ideias sobre gestão do dinheiro e em parte porque a maioria das pessoas não tem o hábito de discutir sobre assuntos financeiros. Se você e seu parceiro têm prioridades ou idéias diferentes de como o estilo de vida deve ser e diferentes atitudes em relação ao que gastar e ao que economizar, certamente vocês devem ter muito que conversar sobre finanças domésticas.

Mesmo não sendo casados, você e seu parceiro têm muito mais do que um mero relacionamento romântico: vocês têm uma parceria econômica. Isso significa que os dois devem participar das decisões de como gerenciar o dinheiro e ambos devem ter voz ativa na estruturação das finanças. Naturalmente, isso também significa que vocês tem que ser capazes de dialogar sobre assuntos que envolvem dinheiro, o que o dinheiro significa para cada um de vocês, o que cada um quer conquistar financeiramente e até mesmo o que mais vocês temem em relação às suas finanças.

Neste artigo fornecemos um blueprint para dar início às discussões, descobrir metas e elabor um plano financeiro que funcionará para ambos. Para os propósitos deste artigo, vamos considerar que, mesmo não sendo casado, você e seu parceiro tem um compromisso, um relacionamento de longo prazo no qual cada um contribui financeiramente para as despesas do lar e que ambos almejam um esquema financeiro que reflita as necessidades e os desejos de cada um.

Chegou a Hora de Confessar sua História Financeira

Se sua reação para a manchete acima é, “Obviamente!” então parabéns! Você está entre aqueles casais que têm, pelo menos, alguma ideia sobre como anda a vida financeira dos dois. Há um número assustador de casais que não sabe. De acordo com um estudo, cerca de metade dos casais erraram em mais de 10% na estimativa da renda familiar e em 30% na estimativa de seu patrimônio líquido.

Um outro estudo revelou que mais de um terço dos casais na faixa dos 40, 50 e 60 anos não sabia quando seus cônjuges planejavam se aposentar. Um terço também admitiu mentir para seus parceiros sobre o dinheiro. E, ainda em outra pesquisa, quatro em cada cinco pessoas disseram esconder compras de seus parceiros.

Acrescente a isso o fato de que mais pessoas estão adiando o casamento (ou seja, elas estão mais propensas a trazer uma variedade maior de ativos – e passivos – para o relacionamento) e não é de se admirar que muitas pessoas não têm a menor idéia das finanças do seu cônjuge.

O Quanto Você Sabe?

Para saber o quanto você e seu parceiro realmente sabem sobre as finanças um do outro, tente fazer esta experiência: responda as seguintes perguntas sobre seu parceiro e em seguida, peça ao seu parceiro para dizer o quanto você acertou (ou não). Em seguida, inverta a posição e peça para seu parceiro responder as mesmas perguntas sobre você.

  • Quanto o seu parceiro ganhou no ano passado?
  • Quais são os saldos dos cartões de crédito do seu parceiro?
  • Qual foi a última grande compra do seu parceiro e quanto ela custou?
  • Sim ou não: seu parceiro paga pensão para a ex-esposa, pensão alimentícia ou alguma obrigação judicial?
  • Quais empréstimos, além da hipoteca estão somente no nome do seu parceiro?
  • No caso de falecimento do seu parceiro, quanto você receberá de seguro de vida?

Se você sabe todas as respostas para as questões acima, você está bem à frente de muitos casais. Se não, considere essas questões como um teste de realidade — e uma indicação de que você precisa exercitar o diálogo com seu parceiro sobre finanças.

O que você precisa saber

Você não tem como tomar boas decisões financeiras se não tiver os dados para respaldar essas decisões. Aqui está a informação mínima que você e seu parceiro precisarão compartilhar:

Fontes de renda: Além dos seus salários (bruto e líquido), informem um ao outro sobre qualquer adicional que vocês têm direito a receber, como bônus, comissões, participação nos lucros ou ações. Se um de vocês tem uma ocupação extra ou um trabalho freelance, é necessário também saber o básico sobre eles, como receita e lucro líquido, mesmo se for somente uma estimativa.

Revisar declarações de impostos, seja individual ou conjunta, é uma maneira fácil de identificar suas fontes de rendimento e quanto ganham.

Aposentadoria: Não há como planejar a aposentadoria se vocês não sabem quanto cada um investe em planos de previdência. Descubra o quanto cada um tem e como essas contas são alocadas em ações, títulos e outras opções de investimento.

Contas poupança, corrente e investimento: Não há problema se cada um tem suas próprias contas, mas ambos devem ter conhecimento sobre essas contas e ter pelo menos uma ideia de quanto dinheiro há nelas.

Se um de vocês é particularmente vulnerável a processos judiciais (empresários, médicos e advogados podem entrar nesta categoria), aconselhamos consultar um advogado sobre a melhor maneira de proteger seus ativos. Uma boa opção é abrir uma sociedade limitada para você, para sua empresa ou para ambos. Empresas com sociedades de responsabilidade limitada restringem a responsabilidade dos negócios para os ativos da empresa; protegendo bens pessoais. Sociedades de responsabilidade limitada individuais podem ser estruturadas para limitar a responsabilidade de uma única fonte de renda.

Mesmo decidindo manter algumas contas separadamente, ambos devem fazer uma lista com todas as contas e informações essenciais sobre cada uma delas: o nome e número de telefone da instituição financeira e o número da conta. Guardem uma cópia da lista em seus arquivos em casa. A outra cópia deve ser dada ao advogado ou colocada num cofre em que ambos tenham acesso.

Cartões de crédito, emprestimos pessoais e outras dívidas ou obrigações: isso pode ser complicado, porque a maioria das pessoas não gosta de compartilhar informações sobre suas dívidas.

Mas esta é uma parte fundamental das suas finanças e não é justo deixar seu parceiro pensar que tudo são flores quando o monstro da fatura do cartão de crédito está rondando sua casa. Declarem os limites e saldos dos cartões de crédito que vocês têm. Quanto aos emprestimos pessoais, seu parceiro precisa saber qual o valor do pagamento mensal e quanto tempo você deixou de pagar. Outras dívidas e obrigações incluem coisas como liquidar contas médicas empréstimos comerciais, pensão alimentícia e empréstimos que você fez com parentes ou amigos.

Cobertura de seguro: o quanto vocês tem a receber de seguro de vida? Quem são os beneficiários? As apólices são por meio de um empregador ou são individuais? E seguro por invalidez? Seguro para o negócio? Como e quando os prêmios são pagos? Quando você obtiver todos estes dados, coloque-os em um arquivo em casa, assim você saberá onde eles estão e poderá consultá-los quando precisar.

Por que você precisa saber

Independente de você estar casado ou vivendo junto, da contas serem conjuntas ou separadas, seu bem-estar financeiro está entrelaçado ao do seu parceiro. Mesmo se você estiver dividindo as despesas da família em partes iguais, é bem provável que você esteja gozando um estilo de vida que não conseguiria sem as contribuições financeras do seu parceiro e vice-versa.

Também existem aspectos legais para sua vida financeira comum. Se você é casado e faz uma declaração conjunta, você e seu cônjuge são igualmente responsáveis pela precisão da declaração e por quaisquer impostos devidos. Isso significa que, se seu cônjuge comete um erro na declaração — intencional ou não — o Estado pode vir atrás de você para cobrar qualquer pagamento extra de impostos, juros, sanções e responsabilidades mesmo penal. Mesmo se divorciado, você pode ser considerado responsável por declarações que você assinou.

Se você e seu parceiro têm empréstimos ou cartões de crédito em nome de ambos, qualquer um de vocês pode ser considerado responsável pelo pagamento.

Você não é obrigado a nomear seu cônjuge como beneficiário de um seguro de vida. Você pode nomear como beneficiário seus filhos, sua propriedade, uma instituição de caridade favorita ou até mesmo seu carteiro.

Se você tiver contas conjuntas com benefícios de sucessão por morte, você obterá propriedade plena dessas contas se seu parceiro falecer. Mas as contas que estiverem somente no nome de seu parceiro, elas se tornam parte do patrimônio dele para fins de imposto e divisão dos bens, ditadas por testamento ou pelas leis do Estado, caso não haja testamento. O mesmo acontece com relação à sua moradia. Benefícios ao parceiro sobrevivente dependem de como a conta está estruturada; peça a sua instituição financeira as informações necessárias para certificar-se de que suas contas estão estruturadas da forma desejada.

Se você não é casado, que tal considerar fazer um termo de compromisso e firmá-lo em cartório? Um termo de compromisso é similar a um acordo de pré-nupcial especificando o que cada um possui, como despesas e ativos serão divididos e o que acontece com seus bens no caso de separação.

Como obter o máximo de sua parceria financeira

Informações compartilhadas são uma boa oportunidade para tirar o máximo de vantagens do que cada um de vocês traz para sua união financeira. Talvez seu empregador ofereça um plano de saúde melhor, talvez o plano de aposentadoria do seu parceiro tenha condições melhores ou uma melhor seleção dos investimentos. Compare os benefícios e selecione aqueles que trarão mais ganhos ao casal.

Você gosta mais do azul e eu do rosa: identificando as diferenças

Quando o assunto é dinheiro, todo mundo pensa e se comporta de forma diferente. Mas a questão é que as pessoas muitas vezes acreditam que os outros pensam e agem da mesma maneira que elas e essas suposições é que são responsáveis por uma série de brigas e desentendimentos.

Então, como superar essas crenças? Em primeiro lugar, lembre-se de que você não pode conhecer seu parceiro tão bem assim quando se trata de dinheiro. Você pode aprender muito pela observação, mas mesmo assim, a maioria das pessoas está propensa a interpretar suas observações de acordo com seus próprios sentimentos e valores então seja cauteloso sobre julgar o comportamento que você observa.

Em vez disso, faça perguntas ou declarações que convidem seu parceiro a concordar ou discordar. Aqui estão alguns exemplos:

  • “Você parece chateado por ter que comprar os freios do carro.”
  • “Quais são as vantagens de comprar isso agora?”
  • “O que acha de escolhermos uma opção mais em conta?”
  • “Tenho que dar duro para fazer (ou não) essa compra.”
  • “Pensar sobre dinheiro me deixa nervoso.”
  • “Como você se sente com relação às nossas finanças atuais?”

Instruções e perguntas abertas como essas convidam à discussão sem colocar qualquer um de vocês na defensiva. Mesmo se você pensa que sabe o que é a personalidade financeira do seu parceiro, falar de dinheiro lhe dará uma visão esclarecedora sobre como cada um de vocês lida com (ou evita) questões de dinheiro.

Você não precisa abordar esse assunto como se fosse uma grande “palestra sobre dinheiro”. Você pode aproveitar melhor as discussões (e aprender mais) levantando esses tópicos conforme a necessidade. Além disso, falar sobre dinheiro em situações naturais,termina de uma vez por todas com o tabu sobre esse tema.

Não há necessidade de temer as diferenças de estilos financeiros. Vocês não podem traçar um plano financeiro viável juntos  se nenhum de vocês entendem o outro. Além disso, suas diferenças podem ser complementares, levando vocês a ter um estilo mais equilibrado sobre como lidar com as finanças.

Artigos relacionados:

  1. Quando Você e seu Conjugê Não Tem as Mesmas Idéias Sobre Dinheiro
  2. Esconder Dívidas do Seu Parceiro Tem Consequências Catastróficas
  3. Como Vencer Seu Medo Sobre Dinheiro
  4. Dinheiro Traz Felicidade Ou Como a Sua Habilidade em Administrar Dinheiro Afeta Àqueles A Quem Você Ama

Deixe um comentário

 

 

 

Você pode usar estes tags HTML

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>